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O Projeto Museu da Araucária pode mudar a serra gaúcha

Por Cilon Estivalet

A vegetação é o principal elemento da paisagem do Planalto das Araucárias. Este patrimônio que representa a cobertura de campos e florestas de galeria oferece usos diretos e indiretos. Para a população interessa especialmente os usos indiretos do patrimônio natural, representado por paisagens que encantam os turistas, por plantas ornamentais e medicinais e que servem também de alimento ou matéria-prima para artesanato.

O turismo, tanto o convencional como o ecológico, é a atividade que mais se desenvolve na região, significando mais renda para a sua população. O turismo na Região das Hortênsias - Planalto das Araucárias continuará crescendo enquanto se mantiverem conservadas as suas paisagens.

O Museu da Araucária não se trata de uma coleção de objetos, mas sim de uma redimensão cultural dos recursos naturais da paisagem do Planalto das Araucárias. O Museu é para reter na memória da população um saber sobre o valor do seu patrimônio natural. Neste Museu irá se mostrar a paisagem como um processo cultural. A história da paisagem será vista integrada à história cultural. A paisagem será sempre parte do patrimônio cultural de qualquer região.

A área do Planalto das Araucárias está protegida por um ato estadual de tombamento da Mata Atlântica e Ecossistemas Associados, posteriormente reconhecido como área da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no Estado do Rio Grande do Sul.

O Museu da Araucária, procurando recuperar a função ecológica e a função econômica deste ecossistema, incentivando a pesquisa, divulgando informações, normas técnicas e legais sobre o manejo sustentável na produção do Planalto das Araucárias, estará cumprindo uma função didática, “fazendo coincidir o estético e o pedagógico” em benefício da integridade deste ecossistema.

O setor produtivo tradicional, em geral controlado por empresários não residentes na região, manifesta um forte interesse por usos diretos dos recursos naturais, principalmente por Produtos Florestais Madeiráveis (PFM) e também pela pecuária extensiva de corte. Estas atividades induzem o principal conflito com a preservação do patrimônio natural do Planalto das Araucárias, reduzindo a capacidade e a diversidade biológica deste ecossistema, na medida em que implantam grandes extensões de monocultura florestal e no manejo dos campos praticam a queimada.

Portanto, o Planalto das Araucárias é um ecossistema que já conta com alguns instrumentos legais de proteção. Ele está inserido no mais importante pólo turístico do Estado do Rio Grande do Sul: a Serra Gaúcha, e num subpólo denominado “Região das Hortênsias”. Esta última denominação é sinal da visão moderna, urbana, industrial e alheia ao entorno natural. “El mundo moderno ha construído sus nociones de naturaleza y de cultura sobre el modelo de la industria, hasta tal <N>punto que, por ejemplo, se juzga un bosque según el valor de sus talas y no según su capacidade biológica”. (Fuentes UNESCO nº 60).

O Museu da Araucária é um projeto com a metodologia da FLACAM - Cátedra UNESCO para el Desarrollo Sustentable, o que significa um processo de investigação ambiental, no qual se busca um modelo demonstrativo de sustentabilidade do ambiente. Este projeto tem por objetivo promover a pesquisa e a educação ambiental para incentivar a regeneração ecológica-econômica do Planalto das Araucárias.

Para a ASSECAN — Associação Ecológica Canela — Planalto das Araucárias, o Museu da Araucária é um projeto experimental, isto é, “uma experiência ambientalista, que faz parte do seu plano de ação e que está sendo implantado na sua região de atuação, o Planalto das Araucárias composto pelos seguintes municípios: Bom Jesus, Cambará do Sul, Canela, Gramado, Jaquirana, Nova Petrópolis, São Francisco de Paula e São José dos Ausentes, envolvendo direta ou indiretamente os seguintes agentes: Prefeituras Municipais, instituições de ensino e cultura, de extensão rural e conservacionistas.

Tanto no projeto de investigação como na experiência ambientalista, o projeto Museu da Araucária tem como tema gerador, o inicial e o de impulso, a potencialidade do Planalto das Araucárias como um patrimônio natural ainda não plenamente identificado e reconhecido como um ecossistema, que deve ser estudado para poder ser manejado de forma sustentável. Assim, o Museu da Araucária se constitui numa rede de Centros de Estudos e Interpretação do Patrimônio Natural do Planalto das Araucárias.

Contatos com a ASSECAN - Caixa Postal 29 - 95680-970 - Canela, RS